Natal de uma imigrante

Última semana de aula: exames escolares das teens (adolescentes) e peça de encerramento ‘O Quebra-Nozes’ do nosso pequeno. Finals x Nutcracker! 

Mateus & Luciana - The Nutcracker, Alta Vista School, CA

Mateus & Luciana – The Nutcracker, Alta Vista School, CA

Pais e mães aqui nos EUA voluntariam bastante nas escolas; essas duas últimas semanas precedentes ao Natal,  foram atordoantes. As teens descabelando com as provas, eu dormindo de jeans e tentando colocar o ítem: ‘tomar banho’ na minha listinha…Enquanto isso, muitas de vocês conseguem marcar cabeleireiro, manicure e enviar cartão de natal com foto da famlia reunida! Comooo?! Mas olha o resultado aí acima! Ao final todas nós sempre temos tempo para o que realmente importa.

Como toda mãe, curti cada minuto das apresentações de fim de ano dos filhos – é um momento tão especial! Os olhos se enchem de lágrimas e o coração transborda de alegria! É o momento em que você esquece de tudo e de todos, nada mais existe; a vida é bela e inocente. Você até esquece que não tem grana para ir ao Brasil esse ano, tal como o ano passado rs!

Dentre os momentos mais duros na vida de uma imigrante, o Natal parece ser um ponto que culmina. A gente chora até com a musiquinha irritande do ‘Feliz Navidad’! Tudo é motivo de choro! Você se esforça para achar que vai ser ótimo não ter que passar pelo transtorno de uma viagem para o outro lado do oceano. Mas, se pega checando ‘n’ vezes as passagens via México, Paraguai, com ‘3 stops’, ‘5 stops’, 28 horas de espera…38 horas de espera, volta ao mundo, passando por Manaus e finalmente aterrizando em São Paulo às 1h da madrugada no dia 25 de dezembro por $1.500!

A gente não mede esforços para chegar ao Brazilsão! Uma imigrante desesperada para ver sua família, sua terra, suas flores, seu verde, seu natal, seu ano novo, seu carnaval! O pastel da feira, a praia predileta, os aromas, as pessoas…ah as pessoas!!! Como elas são calorosas, humildes, queridas, festeiras, amorosas! E loucas, e falantes, e intrometidas (!) e sem educação – às vezes – mas tão brasileiras! Tão minhas! Lá quando me perguntam: Oi!? Como você está?! Eu sei que vai rolar um bate-papo! Meu Deus! Um momento terapia! Não só um: ‘Fine, thanks! And you? Fine thanks!’.

No Facebook, a galera que vai para o Brasil, começa a interagir. Eu vislumbro minha vida passada, pela lente das mulheres mais jovens e suas apreensões:

-Que carrinho vocês aconselham levar para o aeroporto? Ou vocês levam só a cadeirinha do bebê?

-Alguém aí leva fraldas daqui para o Brasil? E ‘wipes’!?

-Gente, idéias para entreter um bebê de 8 meses no vôo, alguém?!

Fotos de bebezinhos – geralmente, primeiro filho/a, na praia, pela primeira vez, na terra Brasilis! E eu me recordo; da doçura daquela época! E me enterneço, fico feliz por essas mães; é um momento lindo e único.

Hoje, com as filhas já adolescentes a preocupação é outra: os exames finais, o GPA, o longo e estressante processo de matrículas para faculdades, grana para a faculdade!!! Mas ainda assim, a empolgação é a mesma. A minha bebezinha que em dezembro de 2000 colocava seus pezinhos na areia pela primeira vez, numa das praias de Ubatuba, hoje está prestes a colocar os pés numa bela universidade americana! Tudo esta sendo conquistado, pouco a pouco, com muito esforço, suor e saudades, muitas saudades…

A vida aqui não é ruim, nem é o mar de rosas que nossos amigos do Brasil pensam ser! Eu nunca quis permanecer no Vale do Silício, fui uma rebelde (sou?!) mas, a quase dois anos atrás, comecei o Café com Abraço. O nosso lema é: colocar ❤ no Vale! Hoje vejo que a criação do Café foi para mim, uma questão de sobrevivência. É muito bom e saudável poder contar com esse belo grupo de mulheres brasileiras, guerreiras, pés-no-chão. Mulheres que tal como eu ás vezes sentem uma dor no peito, saudades, medo.  Precisamos dessa nossa tribo!

Esse ano foi bem difícil para mim, tive que enfrentar problemas de saúde sérios com alguns dos meus filhos e aprendi o seguinte: essas crianças são muito mais fortes que pensamos! São mais fortes que a gente! Nós mães, na realidade, somos fracas rs! Nós nos tornamos fortes na superfície para enfrentar as rasteiras que a vida nos dá. Porém, nosso coração fica pequenininho! Muitas vezes tudo que queremos é a empatia de uma outra mulher, para nos dar aquilo que nós mães, mais damos…colo! Porque há momentos em que achamos que não podemos dar mais nada de nós mesmas, a não ser nossas lágrimas.

Por que esperar para saber das dores e lutas de uma mulher e somente a partir de entao lhe dar trégua? Não seríamos nós mulheres, muito mais humanas, mais unidas se simplesmente exibíssemos compaixão e respeito umas pelas outras, sem julgar? A vida no Vale ou em qualquer outro lugar já não é desafiadora, e muitas vezes injusta o suficiente para uma mulher?

Uma mulher forte é uma mulher. Todo mundo; forte, fraco, bom ou má, precisa de um abraço sincero para poder prosseguir ou recomeçar.

Mas lembrem-se da nossa pequena e poderosa resolução para sermos mais felizes em 2017:

  1. Tomar mais café – com as amigas!
  2. Deixar de ser besta! (tem gente que nao merece teu abraço!)

Um lindo Natal, boas festas e um forte abraço a todas vocês mulheres do bem; guerreiras do Vale!

Próximo Café com Abraço: CAFÉ NOSSO CAFÉ! 2 aninhos

Data: 21 de janeiro de 2017

Horário: das 18hrs as 21h30

Local: Edifício Americana, Mountain View

Estilo: Potluck e entrada grátis!

Mais informações em breve no nosso website www.cafecomabraco.com ou Facebook Cafe com Abraco. Junte-se a nós!

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Adri xxx

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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